BIRDWATCHING NO ESTUÁRIO DOS RIOS MINHO E COURA


O estuário dos rios Minho e Coura representa, do ponto de vista da avifauna, a mais importante zona húmida do litoral minhoto. Pela sua importância avifaunística e pela diversidade de habitas naturais e seminaturais bem conservados, esta está integrada na Rede Natura 2000, encontrando-se classificada como Zona de Proteção Especial (ZPE) e Sítio de Importância Comunitária (SIC). Está ainda declarada pela Birdlfe international como IBA (Important Bird and Biodiversity Areas), que reconhece sítios com significado internacional para a conservação das aves à escala global.

Entre os principais habitats presentes neste estuário destacam-se os rios propriamente ditos, associados aos extensos juncais, caniçais e lodaçais de maré, galerias ripícolas, entre muitos outros nichos ecológicos que tornam o local muito procurado por uma grande diversidade de aves, das quais se destaca o grupo das aves aquáticas e semiaquáticas, com destaque para as garças, as limícolas ou ainda os anatídeos. São também frequentemente observadas algumas aves de rapina que utilizam esta área como território de caça. 

Aqui, tal como na maioria dos estuários e zonas húmidas, a maior diversidade de espécies ocorre essencialmente nos seus períodos migratórios e de invernada. No entanto esta zona é também um importante local de reprodução de algumas espécies. Além das espécies caraterísticas e comuns, encontram-se aqui populações de espécies raras e também esporádicas, de conservação prioritária, como é o caso do garçote, da garça-vermelha e do tartaranhão-ruivo-dos-pauis.

O melhor período de observação corresponde, portanto, ao inverno e aos períodos migratórios. Ainda assim, é possível realizar excelentes observações durante o período de primavera e verão.
Location O roteiro localiza-se no litoral de Caminha, na zona estuarina dos rios Minho e Coura. Os locais de observação sugeridos estão localizados numa área relativamente restrita, onde estão incluídos os principais habitats desta zona húmida e, consequentemente, os principais focos de interesse ornitológico.

Main features - Grande diversidade de habitats característicos de zona húmidas; - Comunidade de aves muito diversificada, com destaque para o grupo das aquáticas e semiaquáticas; - Extensos juncais, caniçais, lodaçais de maré e galerias ripícolas; - Caraterísticas marcadamente atlânticas.

Specific recommendations Visitar com maré vaza. O melhor período de observação corresponde ao outono e inverno e aos períodos migratórios.

Support Structures Plataformas pedonais.



Pontos de observação recomendados:

Ponto de início: Marginal de Caminha, área de estacionamento

Percurso 1: Percurso pedonal ao longo do rio Minho (na direção da foz), no rebordo da Mata do Camarinho

Percurso 2: Percurso pedonal ao longo do rio Minho (a montante do ponto inicial), paralelo à Estrada Nacional

Ligação: percurso rodoviário (pode também ser efetuado a pé ou em bicicleta) pela marginal de Caminha, entre o ponto de início do roteiro e a zona de embarque do ferry (cerca de 1800 metros).

Ponto 3: Foz do rio Coura (junto ao ferry)

Ponto 4: Passadiço na margem esquerda do rio Coura, imediatamente a jusante da ponte ferroviária

Ligação: Pequeno percurso rodoviário (pode também ser efetuado a pé ou em bicicleta), pela EN 13, entre a rotunda do Ferry e a Capela da Nossa Sr.ª da Ajuda (percurso com cerca de 700 metros).

Percurso 5: Percurso entre a Capela da Nossa Sr.ª da Ajuda e a ponte rodoviária sobre o rio Coura

Ligação: troço rodoviário, com cerca de 5 km, entre a Capela de Nossa Sr.ª da Ajuda e a marginal de Fruide (a partir da Capela, na EN 13, virar em direção à Estrada das Faias, seguir pela Av. Santo António até atingir o Caminho de Fruide)

Ponto 6: Fruide, margem direita do rio Coura. Fim do roteiro.


Descrição:

P Início: O roteiro tem início na marginal de Caminha, próximo do acesso à estrada da Mata do Camarido, onde existe disponibilidade de estacionamento.

Percursos 1 e 2: Partindo do local de estacionamento, a pé, na direção da Mata do Camarido (percurso de observação 1) ou percorrendo, no sentido oposto, a marginal de Caminha (percurso de observação 2), ao longo do rio Minho, conseguem-se excelentes pontos de observação na denominada zona entre marés. O percurso a realizar, definido por uma faixa pedonal e ciclável ao longo do rio, deve ser efetuado pausadamente, com especial atenção a toda a zona marginal entre marés, com pequenas lagoas temporárias e bancos de areia visíveis essencialmente em maré vaza. No rio propriamente dito e nas ilhas rochosas distribuídas ao longo desta área, são também habitats importantes onde se podem observar várias espécies de aves.

Esta zona é especialmente interessante para a observação de espécies limícolas como o ostraceiro ou o maçarico-galego. Na área contígua ao pinhal da Mata do Camarido observam-se também várias espécies de passeriformes e aves florestais.

Pelas características de terreno e dos percursos de observação e, sobretudo, pela diversidade avifaunística, a zona é adequada para a observação com telescópio e para a fotografia das espécies.

Depois de explorar esta primeira área de observação, o roteiro sugere a visita à foz do rio Coura, a partir do embarcadouro do Ferry de Caminha, onde há possibilidade de estacionamento. A ligação entre a primeira e a segunda área de observação pode ser efetuada de automóvel, a pé ou de bicicleta.

A foz do rio Coura é uma das mais interessantes áreas para a observação de aves no estuário do Minho. A exploração da área inclui quer pontos fixos quer pequenos percursos ao longo dos principais habitats presentes nesta zona. Na margem esquerda do rio Coura, sugerem-se dois pontos para observação: pontos 3 e 4.

Ponto 3: Corresponde à foz do rio Coura, na envolvente do local de embarcação do ferry. Neste local observa-se frequentemente uma interessante diversidade de espécies, com destaque para as espécies pousadas nas ilhas rochosas, quer na zona de confluência do rio Coura com o rio Minho, quer já no troço principal do rio Minho. É frequente avistar-se o garajau-comum em voos picados sobre a água para capturar peixe.

Ponto 4: Coincide com um pequeno passadiço localizado imediatamente a jusante da ponte ferroviária sobre o rio Coura. A partir do passadiço observa-se uma extensa mancha de juncal, onde o rio serpenteia formando pequenas ilhas de juncal, onde ocorrem várias espécies de aves, nomeadamente garças, como a garça-branca-pequena, a garça-real e, mais raramente, a esquiva garça-vermelha. Daqui são também comuns avistamentos de várias limícolas e espécies emblemáticas como o guarda-rios.

Ponto 5: Depois de observar as espécies e os habitats da margem esquerda do rio Coura, vale a pena atravessar a ponte rodoviária e fazer um pequeno percurso até à Capela da Nossa Senhora da Ajuda, localizada na EN 13 a poucas dezenas de metros da ponte. Este trajeto está assinalado como ponto 5 deste roteiro de observação de aves. A observação diretamente a partir da ponte permite uma vista privilegiada, de cima, sobre a área de juncal, com várias ilhas e lodaçais, favorecendo a identificação de espécies como o maçaricos-das-rochas, que aqui é normalmente abundante. O passeio ao longo da EN, entre a ponte e a capela, oferece também uma boa perspetiva desta belíssima zona húmida. Com alguma sorte, pode aqui ser observado o pouco comum tartaranhão-ruivo-dos-pauis e outras rapinas que aproveitam esta área como território de caça.

Para aceder à última área de observação (ponto 6) é necessário efetuar um pequeno troço rodoviário, com cerca de 5 km, que liga a Capela de Nossa Sr.ª da Ajuda à zona marginal de Fruide (a partir da Capela, na EN 13, virar em direção à Estrada das Faias, seguir pela Av. Santo António até atingir o Caminho de Fruide).

Ponto 6: Localizado na margem direita do rio Coura. Aqui ocorrem algumas manchas de caniçal e galeria ripícola, envolvidas por áreas agroflorestais. Estes habitats apresentam uma boa comunidade de passeriformes, entre os quais se destacam as espécies associadas ao caniçal, como a escrevedeira-dos-caniços ou o rouxinol-pequeno-dos-caniços.












  • Ostraceiro
  • Garça-vermelha ou Garça-imperial
  • Escrevadeira-dos-caniços
  • Tartaranhão-ruivo-dos-pauis
  • Maçarico-das-rochas
  • Garajau-comum
  • Fuselo

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